O estúdio Science SARU, responsável por Dandadan, está por trás de SANDA, adaptação do mangá de Paru Itagaki, autora de Beastars. A obra será lançada como anime de TV em 3 de outubro de 2025 no Japão, com streaming internacional via Amazon Prime Video.
Contexto e ambientação
O cenário é um Japão de futuro próximo, onde a taxa de natalidade despenca de modo assustador. As crianças tornaram-se não só muito raras, mas extremamente valorizadas; o Estado e instituições impõem políticas rígidas para “proteger” essa juventude, incluindo monitoramento severo e até prolongamento artificial da juventude. O Natal, por sua vez, foi relegado ao status de mito ou até mesmo considerado perigoso, banido ou escondido da sociedade.
Personagens principais e suas motivações
Kazushige Sanda: um estudante aparentemente comum, até que descobre ser descendente de Papai Noel e portador de uma maldição misteriosa que tem mais ramificações do que ele suspeita.
Shiori Fuyumura: colega de Sanda. Ela acredita que há algo extremamente perigoso em Sanda, e vai ao ponto de atacá-lo. Mas sua relação com Sanda é complexa — é tanto de desconfiança quanto de necessidade de descobrir a verdade, porque Ono, uma amiga muito próxima dela, está desaparecida. Ela exige que Sanda ajude a encontrá-la.
Ichie Ono: amiga de Shiori, desaparecida, cujo sumiço parece estar no centro da maldição ou dos mistérios que permeiam toda a trama. A busca por Ono motiva a aliança instável entre Shiori e Sanda.
Adultos / Instituições: há figuras de autoridade como a diretora/chefe da escola, um organismo de vigilância, e uma unidade especial (“St. Nick Pursuit Unit”) que persegue Papai Noel — ou qualquer manifestação de justificativa para banir ou controlar a lenda. Esse pano de fundo sugere críticas sociais: controle estatal, manipulação de identidade, medo coletivo.
Conflitos principais
O conflito interior de Sanda: aceitar que ele é herdeiro de Papai Noel significa aceitar responsabilidades pesadas, poderes que ele não pediu, e ameaças de que ele possa causar dano a quem ama, ou ser caçado.
A desconfiança de Shiori: ela quer descobrir a verdade sobre o desaparecimento de Ono, e acredita que Sanda detém parte dessa verdade — ao tempo em que o agride, porque teme o desconhecido.
O mistério da maldição de Sanda: o que é essa maldição, por que atinge ele, qual conexão com Papai Noel, por que a sociedade baniria o Natal ou classifica Papai Noel como perigoso.
A tensão sociopolítica: como a sociedade definida por medo, controle e perda demográfica reage quando forças sobrenaturais ou mitos míticos reaparecem. Quem decide o que é “proteger crianças”? Que liberdades são sacrificadas em nome do bem-estar coletivo?

Clímax e rumos esperados
Com o mangá já concluído, sabe-se que SANDA vai percorrer uma curva de revelações: Sanda enfrentará confrontos com instituições, revelações sobre a origem da maldição, sobre o real destino de Ono, e sobre o verdadeiro papel do mito do Papai Noel nessa realidade. Há cenas de transformação, batalhas, confrontos que misturam o sobrenatural com questões emocionais (culpa, amizade, medo, identidade).
Produção, estilo e impacto visual
A parte técnica reforça o tom da história:
Direção: Tomohisa Shimoyama.
Roteiro / Supervisão: Kimiko Ueno.
Designer de personagens: Masamichi Ishiyama.
Trilha sonora: Tomoyuki Tanaka, em estreia expressiva em anime.
Estética forte, contrastes visuais marcantes (entre luz/vocação natalina vs sombra / repressão), cores que destacam o sobrenatural ou o terror em meio ao cotidiano — essas escolhas dão peso onde muitos animes apenas sugerem.
Conclusão
SANDA é mais do que uma fantasia natalina ou um anime de ação sobrenatural: é uma investigação sobre o que acontece quando uma sociedade funda seu valor nas crianças — e ao mesmo tempo as constrói como objetos de controle. É também uma reflexão sobre identidade, legado, e sobre como enfrentamos mitos esquecidos.
Ao transformar Papai Noel numa figura heróica distorcida — bombada, ameaçada, mitologicamente poderosa — Itagaki propõe que não há inocência absoluta: os mitos têm peso, culpa, esperança, medo. Sanda, como protagonista, representa o ponto de encontro entre tudo isso: ele é herança mas também escolha; vítima da maldição, mas com potencial para redenção; símbolo de Natal esquecido, mas talvez de ressurreição.
Se a adaptação animada mantiver fidelidade ao mangá, podemos esperar que SANDA provoque mais do que empolgação nos espectadores: vai incomodar, questionar crenças confortáveis, e talvez nos fazer repensar o valor da tradição, das amizades, da infância — não só como nostalgia, mas como algo vivo que pode estar sendo apagado, intencional ou não. Em resumo: este é um dos animes mais promissores da temporada para quem gosta de narrativa ousada, visual impactante e dilemas morais bem construídos.